Ser bom

Nunca gostei muito da forma como são entendidas pessoas boas e pessoas más. Para o senso comum, o homem mau é aquele que rouba, mata e calunia, diferente do homem bom que não rouba, não mata, não calunia. Porém, ao analisarmos com cuidado, verificamos um equívoco nesse pensamento: a virtude não é algo passivo.

Para gostarmos de uma comida, não basta que ela deixe de desagradar nossos sentidos, isso a faria ser medíocre, no máximo. É necessário que ela nos leve ao prazer e à alegria, que nos seja agradável, só assim podemos dizer que ela é boa.

Da mesma forma são as pessoas. Ser bom é uma qualidade ativa. Não se pode ser bom por completo apenas pela privação de certos atos, até porque muitos se privam por medo ou preguiça. Os mais cruéis bandidos se escondem na vestes do “cidadão de bem”, ressentidos por não terem tido a mesma astúcia dos outros.

Coragem, gentileza, cordialidade — essas virtudes têm um gosto bom, e só aquele que guarda dentro de si essa mesma sutileza de sabores pode chamar-se bom. Pois só assim atende-se plenamente àquela que é a natureza dos homens: serem agradáveis uns com os outros.